"Quem será Dirceu?" - perguntou-se Lília, pensativa.
De repente, ela começou a escrever:
"Os chafarizes, as pontes, os regatos, as esquinas, aqui, eles falam!
Nas sombras dos janelões e portas das velhas casas, o fantasma da História passeia, procurando ouvintes...
A carinhosa chuva lava os telhados que se apoiam, unidos como crianças de mãos dadas. Em casa pedra-saudade destas ruas, eu vi e ouvi a dança dos anos; a dança da alegria triste e da tristeza alegre; a dança dos grandes amores!
Quem foi Gonzaga? Quem foi Dorotéa? E onde estão... agora?
E quem será... Dirceu?"
Ficou escutando a chuva pingando até adormecer.
Na manhã seguinte, Lília despertou e voou para a cozinha. Terminando o café, Lília disse que ia dar uma volta. Ia sair sozinha.
"Quem é Dirceu?" - perguntava. Por que estava tão interessada em conhecer Dirceu?
- O quê? - perguntou um rapaz encostado na parede.
- Desculpe! -pediu. - Comecei a conversar sozinha.
- É o ar! - respondeu o rapaz sorrindo.
Começou a descer a ladeira pelo meio da rua. Parou em frente à casa onde havia estado na véspera. Lá de dentro vinha o som de flauta.
- Licença? - pediu, sentindo o coração disparar.
Nenhuma resposta. O silêncio era quebrado somente pela melodia.
E então, empurrando a porta, entrou no salão de fantoches.


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